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Pedro Ortaça

19/01/2010
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Pedro Ortaça por Apparício Silva Rillo:

Pedro Ortaça, cria da região e soldado, por mérito e conquista, da legião dos “missioneiros” por excelência, surgiu após os grande e luminares Jayme Caetano Braun e Noel Guarany, e ao mesmo tempo que o não menos importante Cenair Maicá.

Ortaça veio de baixo e silenciosamente, como um veio d’água que traz em si os íntimos segredos da terra de que brota. Afirmou-se pelos anos, ombreou-se com seus irmãos da mesma luta.
Afinou sua guitarra pelo timbre dos sinos das catedrais jesuíticas que o tempo fez ruir; alteou seu canto com reflexos de picumã galponeiro pelos quatro pontos cardeais do estado gaúcho; superou as fronteiras naturais da “pequena pátria” e, hoje, é conhecido nacionalmente como uma das mais originais expressões da terra, do povo e dos costumes do território onde, há mais de três séculos, o gênio jesuítico começou a levantar o império teocrático das Missões.

Ele, sua viola e sua voz não apenas canta e toca, o grande Ortaça. Ensina, também, e agride, protesta e toma posições. Seu canto é comprometido com seu destino de homem que preza a liberdade como bem inalienável de todos, sem diferenças de cor ou classe, credo ou política, riqueza ou miséria material.
Ao musicar, além de textos próprios, poemas de Jayme Braun, José Hilário Retamozo, Carlos Cardinal e alguns outros – entre os quais me incluo, reverente – Ortaça realimenta as mensagens, figuras e símbolos de seus poetas irmãos. Esses que, a exemplo dele, hauriram da cultura missioneira os motivos fundamentais ou episódios de suas criações.

Divide, assim, o seu talento – porque sabe e conhece e proclama que os “missioneiros”, de nascimento ou por adoção anímica, são uma única e potente voz a reverenciar, de ontem para o amanhã, os legados de flor e lança, sangue e sêmen que lhes deixou a “pátria colorada” dos Sete Povos. Fimbriada, em seu costado de resistência e confrontos, pelo rio Uruguai. Que todos (pai e padrinho) batizaram com suas águas de cantiga.

Apparicio Silva Rillo São Borja, 4/7/89

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